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Alexandre Pierantoni Sócio | PwC Brasil A decisão de vender a empresa - Parte 1

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O momento de admissão de um investidor ou venda da empresa.

Em meus textos anteriores, explorei a preparação e planejamento de uma empresa. A partir de agora, iniciarei uma série de textos que abordarão a análise do negócio do ponto de vista da realização do investimento e, eventualmente, venda de participação ou de sua totalidade. Enquanto um profissional de fusões e aquisições de empresas, encontro, constantemente, empreendedores em busca de realização de seu investimento ou, ainda, enfrentando a necessidade de admitir um investidor visando recursos para fazer seu negócio crescer.

A primeira parte explora o desenvolvimento de uma estratégia de saída ou admissão de um investidor/sócio de forma eficaz – com a definição de objetivos adequados e a compreensão da importância de um planejamento antecipado e eficiente. Nas próximas partes pretendo abordar: (ii) como encontrar o comprador/ investidor certo; (iii) como preparar a empresa para a venda; (iv) o processo de negociação; e, (v) a preparação para a vida após a transação.

Parte 1 - Tomando a decisão de vender

A mudança de controle e a sucessão da administração estão entre os desafios mais difíceis enfrentados pelos proprietários de empresas. As decisões que cercam essas questões determinam o futuro dos negócios aos quais seus proprietários ou fundadores dedicaram suas vidas e afeta o retorno de um ativo financeiro valioso (muitas vezes, o principal ativo da família).

Mesmo assim, essas decisões críticas e complexas estão entre aquelas para as quais os proprietários

frequentemente estão menos preparados, já que as enfrentam apenas uma vez na vida. Os sócios podem ter décadas de experiência à frente de seus negócios, mas pouca ou nenhuma experiência com a tarefa monumental envolvida em sua saída ou admissão de um investidor. Contudo, existe uma regra de ouro: a otimização do resultado depende de uma estratégia de saída bem planejada e cuidadosamente analisada.

Este processo de planejamento (ou reflexão) pode ser dividido em oito principais partes:

1. Momento de transição: por que agora? Cedo ou tarde você terá de transferir ou vender parte ou totalidade de sua empresa (para fins de esclarecimento, a própria abertura de capital – IPO, é uma venda de participação da empresa). Para maximizar o valor da transação, é necessário que você controle o processo do princípio ao fim, o que exige análise e planejamento detalhados. Quanto mais cedo você começar o processo de planejamento de sucessão, maior será a possibilidade de obter um valor melhor.

2. Definição de objetivos: a etapa de missão crítica: Você precisa ter uma visão clara da direção fundamental de sua empresa. Qualquer que seja sua decisão, somente por meio do entendimento claro de suas prioridades pessoais e de negócios será possível controlar a opção de saída mais adequada às circunstâncias.

3. Considerações familiares: Frequentemente, solucionar os problemas pessoais e emocionais que cercam a sucessão em empresas familiares é mais difícil do que dar solução às questões comerciais ou financeiras. Você precisará solucionar essas questões antes de examinar outros desafios de negócios.

4. O que determina o valor: onde você está agora? Quais são os aspectos reais e percebidos que aumentam o valor de sua empresa? Você precisa avaliar seus pontos fortes e agir para aprimorá-los. Seja honesto consigo mesmo e com sua empresa: examine-a e avalie suas operações com os olhos de um comprador em potencial.

5. Funcionários e a decisão de vender: Sua estratégia de saída deve levar em consideração os efeitos de uma venda para seus funcionários. As preocupações podem ir do desejo de reter os principais gestores até proporcionar segurança para um funcionário valioso que está há muito tempo na empresas.

6. Estruturação da transação: Muitas vezes, a estruturação eficiente da transação ajuda a maximizar seu valor. Quanto mais cedo você entender as implicações e a importância de estruturar a transação com eficiência, mais bem posicionado você estará para preparar as bases de seu sucesso futuro.

7. Momento: o planejamento antecipado é essencial (lembre-se do P5, que mencionei acima!): Em muitas empresas, o planejamento da sucessão é meramente reativo. Na melhor das hipóteses, isso pode impedir a maximização de valor não seja maximizado; no pior dos cenários, você pode ver o trabalho de sua vida afundar durante a fase de transição. Não postergue o planejamento por estar ocupado com os problemas do dia a dia nem porque é difícil admitir que o momento de considerar sua aposentadoria já está próximo.

8. Posicione sua empresa agora: O planejamento eficiente (lembre-se do P5!) aumentará o valor da empresa quando ocorrerem às negociações efetivas para uma transação. Ele lhe dará informações importantes para tomar uma decisão fundamentada ao aceitar – ou recusar – uma oferta.

Por fim, quanto mais cedo você começar seu processo de planejamento de sucessão, maior será a possibilidade de obter um valor melhor e consequente realização e perpetuidade do negócio. Transferências de controle são feitas por vários motivos (entre os mais comuns, encontram-se a aposentadoria ou doença/ morte do proprietário; pressões competitivas e dificuldades financeiras). Neste sentido antecipar realizações é fundamental.

Pergunte-se: (i) o que é realmente importante para mim? (ii) por que eu desejaria manter a empresa na família? (iii) quais são minhas necessidades financeiras? (iv) qual é a importância de maximizar o valor recebido em comparação com outras considerações? (v) que tipo de função gerencial eu gostaria de ter na empresa? Por quanto tempo? (vi) como decidir se devo manter uma participação financeira na empresa? (vii) para quem eu desejo vender ou transferir os negócios? como escolho entre meus parentes, funcionários, investidores, concorrentes e outros? por que deveria me preocupar? (viii) qual a experiência gerencial necessária para que minha empresa continue a ter sucesso? quem está preparado para gerir a empresa e disposto a isso? qual a preparação necessária para tanto? (ix) o que posso fazer para proteger, recompensar e reter meus funcionários ou outras pessoas com interesse na empresa? (x) como os negócios deveriam ser estruturados e financiados para aproveitar as oportunidades futuras?

Responder a essas questões exige uma visão clara de perspectivas e desejos. Qualquer que seja sua decisão, somente com o entendimento claro de suas prioridades pessoais e de negócios será possível escolher a opção de saída, ou admissão de um investidor/ sócio, mais adequado às circunstâncias.

 

Alexandre Pierantoni é sócio da PwC Brasil, especialista em corporate finance.

 

Leia mais:
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