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Endeavor Brasil Bootstrapping: ideias evoluem mesmo sem investimento

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Conheça 12 maneiras de acessar capital para o seu negócio sem depender de fundos ou investidores.

Na hora de tirar uma ideia do papel, o que te impede de botar pra fazer? Caso sejam recursos financeiros, pense duas vezes antes de reclamar do investidor que não quis aportar capital em seu negócio. Existem muitas maneiras de conseguir incentivo para sua empresa e de operar com o mínimo de recursos. No universo do empreendedorismo, essa prática é conhecida como bootstrapping.

“Tem um pessoal que eu gosto de chamar de ‘pessoal da desculpa’. Para eles, falta capital, falta apoio, falta isso, falta aquilo. Tudo vira desculpa para não fazer nada. Adoro provocá-los dizendo que o Romero [Rodrigues], por exemplo, fez tudo sem dinheiro”, diz Bob Wollheim, fundador do SixPix Content, citando o fundador do Buscapé, que se tornou um dos principais cases do setor de tecnologia do país.“Mesmo assim, ainda é comum ouvir: ‘mas ele era da Poli [Escola Politécnica da USP] e tinha apoio financeiro de família’. Isso não é verdade: o Buscapé começou com uma boa ideia e muito trabalho”, ressalta.

Só não vale fazer porque é moda, alerta Wollheim. “Bootstraping não pode ser encarado como se fosse legal, divertido ou um fim em si mesmo. Bootstraping é só um meio, não um fim.”

Conhecedor do ambiente empreendedor brasileiro e figurinha carimbada em eventos no Vale do Silício, ele apontou, a pedido do Portal Endeavor, 12 maneiras de estruturar um negócio sem o apoio de investidores, com dicas e ressalvas para o empreendedor que pretende optar por algum desses caminhos. Confira:

1. Capital próprio: “Saiba que você vai gastar o dobro do que planejou e que parte desse capital será usado para você viver! Normalmente, os empreendedores se esquecem desse ‘pequeno detalhe’!”

2. Patrimônio próprio: “A diferença é que, para virar capital, o patrimônio tem que ser vendido. E isso pode levar tempo, gerar um valor em dinheiro menor do que se imaginava e, claro, significar até um retrocesso para o empreendedor. Ou você acha que sua mulher vai achar divertido quando você disser que vai vender o seu apartamento?”

3. Amigos e família: “Cuidado para não aceitar capital de quem tem muito pouco – tipo a sua avó, que tem as economias de vida para sobreviver.  Depois, se der tudo errado com o seu negócio, você não poderá nunca mais aparecer nos almoços de família, pois você quebrou a vovó!”

4. Empréstimo: “Os mesmos cuidados das dicas 1 e 2 valem para essa e, claro, seja bem mais pessimista com o seu plano se você for colocar juros bancários na conta. O banco não será seu sócio, portanto, vai querer receber o dinheiro independentemente de como vai o seu negócio.”

5. Financiamento: “Aqui, estamos falando de coisas como BNDES, FINEP, etc. A dica é não esquecer que a burocracia faz parte de tudo isso e que deverá ser considerada nas suas contas.”

6. Incentivos: “Prêmios, doações e investimentos a fundos perdidos podem ajudar a financiar um negócio. A dica é não virar um participador compulsivo de prêmios e afins: o tempo pode passar e o seu negócio nunca acontecer.”

7. Faturamento: “Essa é uma maneira super saudável de financiar um negócio. Fature muito e pague o seu crescimento!”

8. Crowdfunding: “Apenas coisas muito legais e diferentes conseguem levantar capital via crowdfunding, portanto, cuidado para não ficar iludido e perder muito tempo produzindo videozinhos bacanas que não emocionam ninguém.”

9. Emprego paralelo: “Muita gente fica no emprego enquanto monta um negócio. Pode ser uma boa ideia quando o negócio tem mais de um sócio – um fica no emprego, outro começa. Mas é preciso saber como decidir isso, entender que aquele que ficou terá que aportar capital no negócio, o outro terá que receber algum pró-labore e isso é potencial enorme para confusão. Se for você a continuar no emprego, é possível que nem a sua carreira nem a empresa se saiam bem por falta de foco em ambos!”

10. Modelo de negócio alternativo: “Muitas vezes, existe um modelo de negócio menos disruptivo ou bacana, mas que pode ir pagando as suas contas. O importante é não perder a visão do negócio original e não se transformar no modelo que era alternativo e passageiro apenas.”

11. Financiamento via cliente: “É mais comum do que se pensa ter um cliente que, por gostar do produto/serviço da sua empresa, ajuda a financiar o seu crescimento antecipando pagamentos, financiando máquinas etc. O cuidado é não virar dependente de um único cliente.”

12. Cartão de crédito pessoal: “Essa é a pior maneira de financiar um negócio, ou seja, usar o cartão de crédito pessoal para fazer dívidas. Os juros são os mais altos e sua vida vira um inferno. Mas, se o mundo te colocou nessa, fique atento e faça tudo para sair o mais rápido que puder dessa fase. Se você tem certeza que a grana vai entrar em breve, vá em frente, mas, se for apenas uma forma de jogar pra frente, tome o maior cuidado do mundo!”

Por Vinícius Victorino, da equipe de Educação Empreendedora - Endeavor Brasil.

 


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