O EMPREENDEDOR
A EMPRESA
Nos anos 1990, havia apenas internet discada no Brasil. Enquanto outros países, como os Estados Unidos, já contavam com banda larga, os brasileiros ainda sofriam com lentidão, quedas frequentes na conexão e um rombo nas faturas de telefone fixo. O engenheiro Osvaldo Lucho e sua esposa, a arquiteta Carla Adriana, foram dois dos responsáveis pela mudança dessa realidade. Lucho inventou e patenteou um cabo de fibra ótica mais barato e simples que os utilizados até então, o que oferecia uma solução ao mesmo tempo econômica e de qualidade. Nascia, em 2003, no Rio de Janeiro, a Gigalink.
As coisas, no entanto, demoraram para engrenar. A Gigalink começou oferecendo sua rede de fibra ótica à prefeitura de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, mas ouviu um não. Dois anos depois, conversando com internautas, Osvaldo descobriu que as pequenas cidades seriam o mercado ideal para seu produto. “As grandes empresas do nosso setor não têm interesse pelas cidades menores”, avalia Osvaldo. “Assim, sofremos menos pressão da concorrência”. Graças a um blog pró-banda larga a cabo em Nova Friburgo, hospedado em um provedor de linha discada, a empresa conseguiu sua primeira carteira de clientes. Desde então tem mantido um crescimento notório: seu quadro de funcionários passou de 6 para 67 e, entre 2003 e 2010, seu tamanho cresceu de 200 para 12 mil usuários.
Hoje, a Gigalink possui quatro focos de atuação: varejo, governo, corporativo e serviços de valor, tais como provedor de internet hospedagem, última milha, telefonia NGN (VoIP). Em 2007, a empresa lançou, também, seu primeiro serviço voltado ao público mais popular, com mensalidade em torno de R$ 30 – cerca de metade do preço cobrado pelos maiores provedores de acesso. Todos os clientes têm um upgrade na velocidade do acesso a cada dois anos.
A Gigalink se destaca ainda pela preocupação com a formação dos funcionários – eles recebem dois cursos de reciclagem anuais. Caso queiram fazer cursos fora que possam agregar valor à empresa, a Gigalink paga até 50% do valor da mensalidade. “Entendemos que o capital humano é um dos nossos ativos mais valiosos”, diz Carla.
Cerca de 60% do market share de Nova Friburgo é detido, hoje, pela Gigalink. A empresa quer se expandir para o restante do interior do Rio de Janeiro e, depois, para todo o Brasil. Nos próximos cinco anos, Osvaldo e Carla querem chegar à marca de um milhão de clientes. Para atingir seus objetivos, precisarão de mais caixa. “Estamos procurando um fundo”, diz Osvaldo.